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Uso de bengalas ou andadores: Quando e por quê?

Bengalas ou andadores são definidos como meio auxiliares na locomoção e são considerados como órteses que são todas estruturas usadas como apoio ou dispositivo externo modificando os aspectos funcionais ou estruturais do sistema musculo-esquelético. Suas aplicações comuns são nos casos de reabilitação pós-operatória ou pós-trauma com a finalidade de retirar o apoio do membro lesado ou operado. Outra frequente indicação de uso, porém nem sempre muito fácil de convencê-los ao uso é no indivíduo idoso, com a indicação de auxílio no equilíbrio estabilizando a marcha ou prevenindo quedas e consequentemente fraturas. Quando citamos a dificuldade em convencer o idoso ou aquele indivíduo mais jovem com dificuldade na marcha é porque a prática nos mostra que principalmente os primeiros tem uma grande rejeição ao uso especialmente por receio do que “os outros pensarão a meu respeito, que estou inválido” ou pela não aceitação de uma nova condição na sua rotina, que é o processo natural do envelhecimento e com ele a degeneração das principais funções motoras e proprioceptivas.

Ressalto que o uso de bengalas ou andadores trás aos idosos, que com frequência são portadores de dores crônicas secundárias às doenças degenerativas e com elas a falta de força muscular, uma maior segurança no caminhar por diminuição da carga nos membros inferiores e por aumento da base de apoio.

O momento ideal para o início do uso das bengalas ou andadores deve ser definido pelo médico assistente ou fisioterapeuta e também pelos familiares e se dá quando há exacerbação da dor na marcha e falta do equilíbrio que levam a possibilidade de quedas. Como qualquer órtese as bengalas ou andadores devem ser adequadamente escolhidas a fim de propiciarem conforto aos pacientes e estes devem ver o acessório como auxiliares e não inimigos na sua rotina. Órteses mal escolhidas ou mal adaptadas provocam desconforto e induzem ao desuso.

Quais tipos de bengalas existem?

  1. Bengala tradicional reta: Aquela que tem o cabo em formato de T que possibilitam um melhor apoio com menor pressão sobre o punho, ao contrário daquelas bengalas que tem o apoio curvo tipo cabo de guarda-chuva. Podem ser usadas as cordinhas de segurança, caso haja necessidade de usar as mãos a bengala não caia no chão.
  1. Bengala com curvatura proximal: São melhores para os pacientes que necessitam apoiar o peso do corpo na bengala, como os portadores de artrose do quadril ou joelho.
  1. Bengalas com apoio múltiplo (três ou quatro): Há aumento da área de apoio e permitem maior descarga do peso corporal com vantagem de poderem ser largadas ficando apoiadas liberando as mãos dos pacientes para outras atividades.
Bengala reta
Bengala reta

Bengala curva

Bengala 4 apoios
Bengala 4 apoios

 

Quais tipos de andadores existem?

  1. Andador tradicional: É o de maior estabilidade, mas gera uma caminhada mais lenta porque o paciente tem que elevar o andador para se locomover associada a perda de força nos membros superiores.
  2. Andador com rodas frontais: São de uso mais facilitado para os pacientes que tem dificuldade para uso do andador tradicional e que caminham mais rápido, pois as rodas dianteiras permitem a manutenção do padrão de marcha mais próximo do normal, mas lembrando que as rodas anteriores reduzam a estabilidade do andador.
  1. Andador de quatro rodas: Utilizados pelos pacientes mais ativos que usam o andador para maior equilíbrio, porém não sendo indicados para pacientes com perda de equilíbrio haja vista em alguns momentos não conseguirem controlar o andador podendo resultar em quedas. Interessante destacar que em alguns dos modelos com duas ou quatro rodas há a possibilidade do uso dos assentos possibilitando o repouso.
Andador tradicional
Andador tradicional
Andador roda dianteira
Andador roda dianteira
Andador 4 rodas
Andador 4 rodas

Como adaptar a órtese?

Importante destacar que há a necessidade de uma adaptação destas órteses a para cada paciente e por isso as reguláveis são as mais adequadas. As mãos do paciente devem estar junto à altura da articulação do quadril ficando o cotovelo discretamente fletido e sempre devem ser usados no lado não comprometido, ou seja, no lado não machucado ou degenerado e além disso sempre na lateral e não à frente dos pés para não tropeçar. Caso o comprometimento bilateral a indicação melhor seria para o uso de um par de muletas que poderão ser as muletas canadenses (com apoio nos antebraços) ou axilares, estas normalmente mais incômodas que as canadenses. E não esquecer de trocar frequentemente as borrachas, pois elas se desgastam com o uso e podem predispor aos escorregões.

Normalmente a melhor conduta quando do início do uso de bengalas, muletas ou andadores seria uma orientação adequada por um fisioterapeuta que possibilitaria o treino e certamente uma maior aceitação no uso das mesmas.

Regulagem altura bengala
Regulagem altura bengala

Fontes pesquisa

https://pt.wikihow.com/Segurar-e-Usar-uma-Bengala-Corretamente

https://www.quadrilcirurgia.com.br/bengalas-e-muletas.html

http://www.bengalalegal.com/uso-de-bengala

https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/bengala-um-auxilio-na-locomocao-ou-sinal-de-incapacidade/

http://www.indaiabengalas.com.br/inc/files/bengalaandadoremuleta.pdf

https://www.reumatologia.org.br/orientacoes-ao-paciente/bengala-deve-ser-bem-escolhida-e-usada-corretamente/

 

Dr. Marcelo Beirão

 

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