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Quando e por que suturar o menisco?

Os meniscos são estruturas anatômicas cartilaginosas de grande importância na proteção e atuam no sistema de estabilizacão, amortecimento de impactos e distribuição de cargas entre os grandes ossos da articulação do joelho. Sem os meniscos ou mesmo sem uma parte deles há grande perda deste sistema de proteção com consequente aumento da sobrecarga e possibilidade de se instalar os processos degenerativos (artrose) e quanto mais jovem o paciente maior será esta possibilidade.

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Anatomia dos meniscos

Desta forma nas últimas décadas a cirurgia do joelho tem enfatizado a iminente necessidade de manter, sempre que possível, a estrutura meniscal utilizando para isso as técnicas de sutura (costura) do menisco.

Mas, importante destacar que nem todas as lesões meniscais são passíveis de serem suturadas, pois há algumas lesões ou rupturas dos meniscos que apresentam um mau prognóstico quando realizadas. São situações ditas como ideais para a sutura meniscal:

  1. Boa condição do menisco (não ser uma cartilagem com graus de degeneração) sendo as rupturas traumáticas aquelas de melhor prognóstico;
  2. Tamanho da lesão (maior que 1,0 e menor que 4,0cm) e quanto menor o tempo de lesão maior a chance de cicatrização;
  3. Quando ocorrem em associação com as lesões do ligamento cruzado tem melhor prognóstico para cicatrização;
  4. Quando a ruptura ocorre na chamada zona vermelha, ou seja, na região anatômica de maior vascularização ou irrigação sanguínea do menisco;
  5. Pacientes até os 40 anos de idade, mas sempre considerando o estado da estrutura que se observa somente no trans-operatório.

Em qualquer uma das condições anteriores quando suturados não há absoluta certeza de que ocorrerá uma evolução satisfatória, pois falhas ou rerupturas poderão ocorrer, mas as tentativas devem, quando indicadas, ser realizadas a fim de manter a estrutura meniscal.

E as situações que provavelmente teremos prognóstico reservado nas suturas são:

  1. Lesões nos idosos, porque tem grande componente degenerativo;
  2. Rupturas localizadas na região sem irrigação sanguínea;
  3. Lesões de longa duração, pois normalmente já estará envolvido processo degenerativo do tecido.

Então, certamente não são todas as rupturas meniscais que são passíveis de serem suturadas e os critérios de sutura ou não devem ser adotados pela equipe cirúrgica no pré e especialmente no trans-operatório considerando também o desejo do paciente em admitir a sutura, pois o período pós-operatório ocorre de forma completamente diferente nos casos de resseção meniscal. Quando da sutura a reabilitação é mais prolongada e cuidadosa exigindo dos pacientes maior colaboração e um tempo mais prolongado de afastamento das atividades físicas e vimos com frequência esta negativa em atletas profissionais ou de alto rendimento.

 

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Esquema gráfico da ruptura e da sutura meniscal

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Ruptura meniscal                                               Sutura meniscal

 

Referências bibliográficas:

La Prade RF, Arendt EA, Getgood A, Faucett SC. The Menisci: A comprehensive Review of their Anatomy, biomechanical function and surgical treatment. Springer. ISAKOS; 2017

Goes RA, McCormack RG. O Menisco: Da avaliação e lesão ao transplante. Revinter, 2019

 

Dr. Marcelo Beirão

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