Jose Carlos Ghedin (48) 3081-9861 | Marcelo Beirão (48) 9 9167-5052

Pubalgia

              A pubalgia também chamada de pubeíte ou osteíte púbica é uma condição patológica da sínfise púbica ou púbis que é a articulação localizada na região anterior da pelve fazendo a conexão entre as duas hemipelves, sendo uma região de grande solicitação biomecânica sendo considerada o centro de gravidade do corpo decorrente da forte relação anatômica da inserção dos músculos reto e oblíquos abdominais e origem da musculatura da região da coxa especialmente os adutores. A osteíte púbica é uma condição que se manifesta de forma lenta e progressiva secundária ao processo inflamatório da sínfise e dos ligamentos e tendões da região tendo uma causa multifatorial não podendo ser atribuída a uma única causa tendo frequentemente uma relação com desequilíbrios musculares na região da sínfise especialmente encurtamento da musculatura adutora com enfraquecimento dos abdominais ou vice-versa.  No esporte é muito comum a manifestação em praticantes de lutas marciais ou em futebolistas profissionais e amadores pelo fato de serem músculos muito utilizados no mecanismo do chute que engloba movimentos de hiperextensão repetitiva do tronco em associação com excessiva abertura lateral da coxa. Importante lembrar que diagnósticos diferenciais devem sempre ser descartados como causa das osteítes púbicas como as DST (doença sexualmente transmissíveis), bem como as chamadas pubeítes infecciosas secundárias as mesmas DST, doenças ginecológicas (endometrioses), urológicas (prostatites ou varicoceles), reumatológicas ou as hérnias na região abdominal ou inguinal (hérnia do esportista) sendo estas muito comuns em pacientes rotulados como portadores de pubalgia.

             Como sintomas podem ser manifestas dores tanto na região do púbis quanto na região abdominal ou virilha definidas às vezes como sensação de “queimação” e também as dores irradiadas para testículos ou região perineal que ocorrem principalmente no início da prática esportiva com piora após a mesma com muita dificuldade no dia seguinte até mesmo para caminhar. Estas queixas tendem a aumentar progressivamente uma vez que as pessoas mesmo com a dor não cessam com a atividade, levando até ao desestímulo ou mesmo incapacidade para o esporte. Para o diagnóstico da pubalgia são importantes o exame clínico ortopédico além de exames laboratoriais onde o ortopedista deve sempre pensar nos diagnósticos diferenciais e os exames radiológicos (RX simples e Ressonância magnética) que demonstram a sobrecarga ou instabilidade da sínfise púbica podendo estar presente somente o edema ósseo reacional ao stress articular até as alterações degenerativas articulares demonstrando a cronicidade do quadro. Preocupados com as pubalgias não musculoesqueléticas habitualmente solicitamos também avaliação de outros especialistas como um cirurgião geral para descartar as hérnias inguinais, pois como já falamos são comuns os casos de pacientes tratando como pubalgia quando na realidade não o são.

          Os tratamentos são realizados sempre com fisioterapia nas fases mais iniciais onde se prioriza o reequilíbrio da musculatura pélvica e abdominal associada ao uso de medicações anti-inflamatórias, sendo necessário o afastamento das atividades esportivas que geram dor. Infiltrações com corticóides têm sido amplamente usadas nos casos refratários ao tratamento conservador com fisioterapia e anti‐inflamatórios não hormonais, mas sua eficácia ainda é motivo de controvérsia na literatura. Normalmente a osteíte púbica é uma patologia de lenta resolução havendo necessidade de compreensão e muita colaboração por parte dos pacientes, mas em atletas profissionais ou adolescentes que pretendem seguir carreira esportiva o afastamento prolongado (mais de 6 meses) pode comprometer o rendimento e consequentemente a carreira e por este motivo, havendo falha no tratamento conservador, pode-se optar pelo tratamento cirúrgico.

Dr. Marcelo Beirão

pubalgia_0_0    pubalgia-sintomi-cause-rimedi-naturali       anatomia

© 2016 Todos os Direitos Reservados. Cirurgia do joelho e trauma do esporte.