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O que NÃO fazer com seus exames

                            Diariamente convivemos com pacientes extremamente preocupados com os resultados dos exames radiológicos ou laboratoriais que foram solicitados por nós mesmos ou por outros colegas, em função de que demonstraram  no laudo (especialmente os radiológicos) alterações que eles julgam de grande importância e gravidade. Não raros são os casos, muito pelo contrário, que antes de retornar com o exame aos seus médicos os pacientes já pesquisaram na internet e encontraram vários sinônimos para as expressões utilizadas nos laudos, fato este que gera desconfiança em relação a sua situação e o que é pior, pode conduzir a uma condição que não condiz com a realidade trazendo preocupações, sofrimentos e ansiedade totalmente desnecessários. Importante destacar que os laudos de exames complementares, ou seja, todos aqueles que complementam a consulta médica (história e exame físico) são emitidos pela percepção e interpretação de imagens (no caso de exames radiológicos) ou de dados (nos exames bioquímicos) levando sempre em consideração que estes profissionais não tem muitas vezes dados da avaliação clínica tendo na maioria das vezes informações restritas relativas à indicação do exame solicitado. Os resultados de exames não devem ser interpretados isoladamente por ninguém e sim como resultado de uma avaliação onde se estabelece uma relação entre os achados clínicos e os resultados dos exames radiológicos ou laboratoriais e se esta análise isolada ocorresse desnecessária seria a consulta que gerou o exame.Achados radiográficos devem ser analisados e não definidos antecipadamente como diagnósticos.

                      Situação comum é aquela em que familiares aproveitando suas consultas nos levam exames de pessoas não presentes à consulta desejando orientações ou condutas e sempre são alertados de tal impossibilidade, por que simplesmente elas não estão presentes. Temos tido também em número cada vez maior, com o advento de recursos tecnológicos como o whatsapp ou facebook, a experiência de pacientes enviarem seus laudos ou imagens para saber “a gravidade do quadro” ou “se tem indicação de cirurgia ou não e quanto custaria o procedimento” e em resposta informamos que ainda deve existir o contato interpessoal para que seja possível estabelecer condutas, pois a tecnologia nos põe mais facilmente em contato, mas não substitui o aperto de mão.

                  Não nos esqueçamos de que como paciente, e isto inclui também o próprio médico nesta condição, procure ao ler o resultado dos exames (e isto é inevitável) não interpretá-los, uma vez que pode trazer ansiedades e preocupações desnecessárias, deixando que seu médico estabeleça relação com o seu quadro clínico avaliando seu real significado. Exames solitários para nada servem, a não ser que exista um paciente que tenha queixa e exame físico que possa ser correlacionado com seus achados. Lembrem que exames complementares COMPLEMENTAM a consulta médica e não podem ser usados isoladamente para diagnósticos, inclusive por médicos amigos ou que não fazem determinada especialidade, nos casos de exames mais específicos de determinadas áreas de atuação médica.

Dr. Marcelo Beirão

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