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Fraturas por Estresse

                   São lesões ósseas secundárias a uma sobrecarga mecânica e que podem ocorrer tanto em atletas profissionais quanto recreacionais devido a intensos e repetitivos movimentos que produzem uma falha óssea (fratura). Os membros inferiores por suportarem mais carga são os mais atingidos sendo a tíbia e os ossos do pé os que mais sofrem com o problema.Em nossa rotina diária devido ao estímulo gerado pelo uso do osso em qualquer atividade como caminhar, dançar e correr o tecido ósseo apresenta um metabolismo com permanente havendo troca de células ósseas (perda pela ação dos osteoclastos e depósito pelos osteoblastos) devendo sempre haver o equilíbrio entre a remoção e o depósito destas células a fim de manter a saúde do esqueleto. Quando ocorre um desequilíbrio nesta relação com maior perda (remoção) do que depósito de células ósseas, que podem ser geradas por uma atividade física mais vigorosa com repetição e sobrecarga, surgem as lesões ou fraturas por estresse, ou seja, o osso vai se tornando gradativamente enfraquecido e com a contínua sobrecarga não resiste e quebra devido às microfraturas.

                 Autores como Taunton (Sports Med 1988 Aug.;6(2):107-20 descrevem as cinco principais causas de lesões por estresse:

  1. Erros de treinamento (muita intensidade sem períodos de descanso)
  2. Falta de força e flexibilidade
  3. Uso de calçados inadequados
  4. Falta de órteses quando indicadas (palmilhas)
  5. Piso inadequado para treinamento (muito duros)

                Vimos com muita frequência todos estes fatores sempre com os indivíduos não dando a menor importância a itens mais básicos e difundidos em qualquer literatura como as intensidades nos treinos hoje muito comuns nas academias, que muitas vezes prometem milagres e os tênis inadequados para as corridas de rua lembrando que devemos sempre emagrecer para correr e não correr para emagrecer. O risco das fraturas por estresse é dez vezes maior na mulher do que no homem em decorrência das alterações hormonais (amenorréia ou ausência de menstruação) muito comum na mulher atleta e está presente em qualquer prática desportiva desde longas caminhadas até esportes de alto rendimento. Os sintomas das lesões por estresse são normalmente de instalação lenta e progressiva que se manifestam com dor localizada principalmente após o exercício e que gradativamente vão limitando o rendimento podendo se tornar constante e independente da atividade física. O diagnóstico é feito baseado na história clínica e por exames de imagem sendo a ressonância magnética e a cintilografia óssea (Spect TC) os exames de maior sensibilidade para o diagnóstico precoce já nos primeiros indícios da lesão.

              Uma vez diagnosticada as fraturas por estresse podem ser classificadas como de alto e baixo risco de acordo com sua localização e possibilidade de evolução satisfatória ou não. O tratamento deve ser iniciado de imediato ao diagnóstico sendo absolutamente necessário o afastamento do indivíduo dos fatores que produzem a lesão, o que nem sempre é muito fácil quando se trata de esportista e que não admitem esta possibilidade. Quando se fala em afastamento não necessariamente seja obrigado a ser afastado totalmente do esporte, mas a preservação do impacto sobre a área afetada ou mesmo troca temporária de esporte com planejamento de treinamento específico é muito importante na condução inicial do tratamento que pode evoluir de forma conservadora ou até mesmo cirúrgica.

             Por fim, importante destacar que sempre é necessária uma boa orientação para a prática de atividade física haja vista serem comuns os erros de treinamento como predisponentes às lesões por estresse e que podem ser evitados para continuidade da prática desportiva saudável.

Dr. Marcelo Beirão

Imagem1Imagem2 2 Imagem33

 1. RM com fratura estress bilateral tíbia    2 e 3. Spect TC com fratura estress bilateral tíbia

Imagem5Imagem6 5.

4. Spect TC com fratura stress patela direita  5.RM com fratura por estresse 2º metatarso

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