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Atividade física e dor anterior no joelho

São comuns os questionamentos em relação ao melhor tipo de atividade física e também sobre os benefícios ou não dos exercícios em academia, treinamento funcional ou corridas de rua. Felizmente, por um lado, os indivíduos se mostram preocupados em iniciar ou manter suas atividades físicas e por outro lado, infelizmente, convivemos com esportistas com dor ou sem capacidade funcional para a prática desejada. Todo o movimento que melhora a condição para executar uma determinada tarefa é um movimento funcional. O treinamento funcional deve respeitar e evidentemente ser prescrito pelo educador físico capacitado para tal, levando em consideração os movimentos naturais para qual nosso corpo foi projetado como nos movimentos de agachar, empurrar, girar, pular e correr. Os movimentos executados devem integrar todos os grupos musculares e não trabalhar músculos isolados e os equipamentos usados são halteres, cordas, barras, bolas, fitas e cabos. Como exercícios funcionais não utilizam máquinas de peso fixo, a base de sustentação são os movimentos naturais e o peso do próprio corpo. Os exercícios realizados em academia, diferente do treinamento funcional, são realizados também  nos aparelhos, mas que trabalham músculos de forma isolada muitas vezes sem o trabalho específico de equilíbrio que é exigido no funcional. Ainda se discute e gera polêmica entre os professores é se os treinos funcionais gerariam a mesma hipertrofia ou aumento do volume muscular – não confundir com ganho de força – que sabidamente se adquire nos trabalhos físicos em academia. Assim como nestas modalidades as corridas de rua tem ganho um grande número de adeptos pela “facilidade” na sua execução e pela disponibilidade a qualquer local e momento do dia.

                   Definimos dor anterior do joelho como toda dor que envolve a articulação patelo-femoral estando esta diretamente relacionada com esta região ou não, pois sabemos que tais quadros dolorosos podem estar associados com desequilibrios musculares que não necessariamente estão localizados no joelho e sim nas articulações adjacentes e não menos importantes como a região pélvica (quadris) e os tornozelos e pés excessivamente pronados ou supinados. Temos hoje conceitos aplicáveis ao equilíbrio da musculatura lombar e abdominal, conceitos estes muito bem empregados quando abordamos a necessária estabilização e equilíbrio do CORE ou centro de força, ou seja, da musculatura abdominal profunda, pélvica e paravertebral, que vieram à tona com a propagação do método Pilates de condicionamento. Indiscutível os benefícios do ponto de vista postural e de proteção visando a prevenção das lesões esportivas ou nas atividades rotineiras do dia a dia, mas sabemos que isto não é o suficiente quando se trata de atividade com alta demanda articular. Quando tratamos de dor articular no joelho é comum ouvirmos de pacientes da necessidade e uma exacerbada preocupação de “fortalecer a musculatura da coxa” como se isto fosse a fórmula mágica para evitar tais queixas.

               Sabemos que o nosso joelho sofre e muito com a sobrecarga desencadeada por desequilíbrios musculares não somente ao redor do próprio joelho (posteriores da coxa), mas também da musculatura que é própria do quadril como os glúteos assim como da coxa como a musculatura lateral (trato iliotibial) e medial (adutores). Um exemplo comum disto, e aí retornamos às academias e exercícios funcionais, são os exercícios realizados com a flexão repetitiva dos joelhos, sejam eles em cadeia aberta (sem apoio no chão como a cadeira extensora) ou em cadeia fechada (com apoio como o agachamento à fundo). Sempre que existirem desequilíbrios musculares como um grande encurtamento dos músculos posteriores da coxa poderá ocorrer uma hiperpressão patelar com piora do quadro doloroso ao coexistir uma lateralização excessiva da patela, muito comum entre as mulheres. Temos ainda a influência da musculatura pélvica (glúteos) ou adutora da coxa que podem gerar um momento valgo ou valgo dinâmico importante (figura 1 e 2) nos exercícios de salto desencadeando a dor anterior no joelho.

           Sintomas dolorosos também associados ao valgo dinâmico e pelos mesmos motivos já expostos são também muito comuns quando do início de programa de corridas de rua (mais frequente em função dos obstáculos com maior exigência mecânica) ou na esteira sem e às vezes mesmo com orientação adequada, quando os indivíduos acham que é necessário somente um par de tênis com bom sistema de absorção de impactos para sua proteção, sendo importante lembrar que devemos inicialmente ter um adequado condicionamento prévio aeróbico e muscular para as corridas e que devemos prioritariamente emagrecer para correr e não correr para emagrecer.

            Em resumo, toda dor anterior no joelho poderá ter sua origem no próprio joelho ou em estruturas articulares ou musculares adjacentes (pelve ou pés) e por isso estas dores devem ser avaliadas em conjunto pelo seu educador físico, fisioterapeuta e médico assistente a fim de identificar a origem e corrigir os fatores ou exercícios que predispõe e provocam a dor, sendo obrigatório um agressivo programa de treinamento de força e flexibilidade no controle do quadril em combinação com um programa de exercícios pliométricos progressivos que são aqueles exercícios que utilizam maior número de fibras musculares em um curto período de tempo e que contribuem para aumento da força, da potência e da flexibilidade muscular além de promover uma maior capacidade de resposta do sistema neuromuscular. Se assim não procedermos corremos o sério risco de que seja necessário uma parada do programa de treinamento em função das dores com perda de todos os ganhos adquiridos até então.

              Nunca o ditado  “prevenir é melhor do que remediar” se aplica de uma forma tão apropriada a esta situação, pois melhor um passo atrás sem a dor do que a continuidade ou parada total da atividade física que se torna progressivamente dolorosa e ineficaz sendo importante lembrar que a dor desproporcional à atividade física não deve ser tomada como parâmetro para o ganho de condicionamento físico e sim que algo deve ser revisto no seu programa de treinamento.

Dr. Marcelo Beirão

valgo
Valgo dinâmico do joelho

algo dinâmico corrida

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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