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As tendinopatias – da tendinite à ruptura

                     Qual a diferença entre estes dois estágios de uma tendinopatia (doença tendinosa)? Utilizamos na prática médica o sufixo “ite” para designar a presença de um quadro agudo e no tendão uma doença na fase aguda é chamada de tendinite. Já o sufixo “ose” implica em uma patologia de degeneração crônica (aumento do número de fibroblastos, hiperplasia vascular e desorganização do colágeno) sem inflamação e o termo tendinose descreve a cronicidade da lesão, fase em que não existe mais processo inflamatório e sim alterações decorrentes deste e que não foram adequadamente tratadas na fase inicial. A tendinite pode estar associada a traumas agudos ou microtraumas repetitivos em qualquer atividade da vida diária e a tendinose é o processo de degeneração do tendão que pode estar relacionado ao avanço da idade do indivíduo ou à história de uma ou mais tendinites  que não tiveram uma boa recuperação ( reparo insuficiente). É difícil estabelecer na prática o período de transição entre uma fase e outra, mas define-se como quadro agudo o período inicial dos primeiros três meses da doença que a partir daí evolui para a cronicidade. Podem estar envolvidos qualquer tendão e a avaliação visando o diagnóstico deve ser a mais precoce possível, pois tanto clinicamente quanto por meio de exames de imagem as doenças tendinosas podem ser diagnosticadas e devidamente tratadas.

                   Os sintomas que envolvem uma tendinite são principalmente as dores localizadas na região do tendão envolvido que prejudicam os movimentos e não necessariamente com a presença de calor local ou inchaços e na tendinose a dor crônica localizada manifesta durante ou após as atividades e que não impedem os movimentos articulares, mas que os dificultam. Dependendo da localização da lesão os indivíduos podem notar um espessamento do tendão como ocorre nas tendinoses de Aquiles. Sem dúvida que na fase aguda o tratamento é muito mais eficaz e frequentemente de boa evolução sem deixar sequelas funcionais, uma vez que a resposta é muito boa tanto ao uso da medicação antiinflamatória quanto à fisioterapia. Duas grandes falhas no tratamento são a tentativa de retorno precoce à atividade física, quando ainda não ocorreu um recondicionamento do tecido lesado e também o repouso muito prolongado das fibras musculares que necessitam de alongamento e fortalecimento gradativo sob adequada orientação fisioterápica. O maior entrave nesta fase é que grande parte dos pacientes não admite uma parada nas atividades físicas – que é necessária como parte do tratamento – e persiste com sintomas até a cronicidade quando o tratamento apresenta mais reservas em relação ao prognóstico.

                     Nesta etapa não há mais indicação do uso do antiinflamatório (por não haver mais inflamação), mas o uso de analgésicos que combinado com técnicas fisioterápicas, terapia por onda de choque (TOC)- ler blog no site-  ou mesmo cirurgias visam a restauração da estrutura e função tendinosa. Estudos com a aplicação de fator de crescimento (PRP) estão ainda em andamento e aguardam liberação do Conselho Federal de Medicina para seu uso na prática da Traumatologia do Esporte. Devemos ainda ressaltar que aqueles tendões que apresentam maior força de tração são os mais envolvidos nas entesopatias ou tendinopatias insercionais como os tendões tríceps e bíceps braquial, calcaneano (Aquiles) patelar, pois são estruturas tendinosas que com suas fortes inserções ósseas produzem movimentos importantes do ponto de vista biomecânico como o salto e o chute, por exemplo.

                   Tudo deve ser feito no sentido de evitar a principal complicação de uma tendinose que seria a evolução para uma ruptura tendinosa, uma vez que o tendão sem a sua elasticidade natural e sendo submetido a tensão contínua da atividade física não resiste e rompe naquilo que definimos como a tríade maldita da tendinopatia, ou seja, TENDINITE x TENDINOSE x RUPTURA. Desta forma fica fácil e evidente a compreensão de que o diagnóstico e tratamento precoces das doenças tendinosas são a melhor forma de evitar longo afastamento das atividades físicas, pois devemos sempre evitar a evolução para a tendinose com possível ruptura muscular. Advertimos sempre que os tratamentos das tendinoses são normalmente prolongados podendo durar de dois a seis meses ou mais, dependendo do tendão, e é exatamente por isso que muitos esportistas não demonstram disponibilidade ou vontade de abandonar suas atividades.

tendinopatia Aquiles     ruptura aquiles  Untitled

 

Dr. Marcelo Beirão

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