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As lesões esportivas por sobrecarga na infância e adolescência

                     Temos observado um aumento na incidência de consultas decorrentes de lesões esportivas ocorridas em crianças ou adolescentes, ou seja, em pacientes que se encontram em fase de amadurecimento esquelético. Tal fato se deve a introdução cada vez mais precoce das crianças nos esportes de competição, onde a exigência e sobrecarga repetitiva sobre as articulações e musculatura em desenvolvimento podem gerar lesões em regiões de origem ou inserção muscular ou mesmo nas zonas de crescimento ósseo, as placas de crescimento ou fises, especialmente dos joelhos, quadris, cotovelos e punhos. Muitos pais na ânsia de verem seus filhos como “supercampeões” ou “especiais” para determinado esporte ou somente preocupados em ocupar o tempo vago dos filhos com múltiplas atividades esportivas, podem antecipar etapas no treinamento fazendo com que estes “miniatletas” estejam mais predispostos às lesões.

                Definimos esporte saudável aquele onde todas as atenções são voltadas para a atividade física buscando a saúde física e mental sendo difícil tratar esporte de alto nível, de alto rendimento ou profissional como sinônimo de saúde, pois dificilmente a encontraremos nesta situação. Em qualquer atleta ou praticante de qualquer esporte, independente da idade, a dor do treinamento e da necessidade de superação é uma constante. Nos mais jovens temos a obrigação de prevenir as lesões das fises e isto somente é possível através de um treinamento bem conduzido, com técnicas que preservem as articulações, sendo imprescindível a presença de Educadores Físicos com excelente formação técnica e habituados a se relacionarem com esta faixa etária nas academias e nos clubes. Dos esportes que mais frequentemente produzem lesões estão os esportes de quadra como o futsal e o voley, as ginásticas rítmica e artística, as academias de musculação, de exercício funcional e crossfit. Mas o adolescente pode fazer musculação? Pode, mas frequentemente não é orientado corretamente como fazer e principalmente não é vigiado em como e no que está fazendo. Estas são causas muito comuns das lesões, em especial as lesões das placas de crescimento, algumas vezes irreversíveis, pois o adolescente vivendo intensamente sua fase de auto-afirmação tem a necessidade de se mostrar auto-suficiente no seu conhecimento e também forte o suficiente para puxar qualquer quantidade de peso, já que segundo eles “tem que ganhar músculos rapidamente”. Portanto, toda dor que se manifesta de forma contínua tem que servir de alerta quando associada à atividade física, pois como muitos pensam não deve ser a dor sinônimo de “resposta do corpo à exigência” e muito menos obrigatória a sua associação com a atividade física. A dor persistente no esporte pode e normalmente é um sinal de que algo há de errado nos obrigando a uma revisão do programa de treinamento ou do gesto desportivo, sendo importante a lembrança de que a atividade física deve ser duradoura e de que dela dependemos para atingir nossas metas de saúde a longo prazo. Se não cuidarmos de nosso corpo durante o período de desenvolvimento certamente dificuldades restarão na idade adulta.

Dr. Marcelo Beirão

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