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As lesões do ombro no esporte

                  O ombro é sede freqüente de lesões nos esportes competitivos, principalmente em esportes de arremesso e de contato. O arremesso repetitivo e os esportes de contato submetem o ombro a sobrecargas nos extremos do movimento, tornando o ombro um local comum de alterações associadas a dor e incapacidade funcional. No Brasil, o movimento semelhante ao arremesso é encontrado mais comumente no saque de esportes como vôlei e tênis, e nas braçadas dos nadadores. Nesses casos as lesões podem ocorrer pela elevada frequência e intensidade dos movimentos e principalmente pela má técnica empregada durante a execução do movimento. Este mecanismo de lesão é chamado atraumático, onde a lesão ocorre por sobrecarga articular e dos tecidos adjacentes, sendo observado geralmente em esportes de não-contato como vôlei, tênis e natação. Outro mecanismo de lesão é o chamado traumático, onde ocorre um trauma direto sobre o ombro do atleta empregando uma carga suprafisiológica sobre a articulação e musculatura adjacente, ocasionando contusões, entorses, luxações e fraturas. Este mecanismo é comumente visto em esportes que priorizam o contato físico (jiu-jitsu, judô, futebol americano).

Natação

               A dor no ombro pode estar presente em até 65% dos nadadores. Atletas de alto nível chegam a realizar cerca de 16.000 braçadas semanais (quase 1 milhão por ano), percorrendo até 20.000 metros por dia. A fadiga ou cansaço muscular é o principal fator de falha técnica na braçada e do início dos sintomas. Os sintomas se iniciam gradualmente no fim do treino, conforme a dor piora, a performance diminui e os sintomas vão ocorrendo progressivamente mais cedo durante o treino. As causas são multifatoriais: falha técnica – movimentos executados de forma incorreta; “overtraining” causando a fadiga muscular, que leva a um trabalho muscular forçado e acarreta em mais braçadas para percorrer a mesma distância; utilização incorreta de equipamentos de treino.

Tênis

               O ombro é o segundo local mais comum de dor ou lesão no tênis. Até 50% dos tenistas profissionais apresentam alguma alteração na articulação do ombro. A maioria das lesões ocorrem por treino excessivo e má técnica, acarretando lesões nos tendões do manguito rotador e do bíceps. Durante a preparação e a finalização do saque, a importância da execução correta dos movimentos influencia tanto na proteção das estruturas do ombro (menor exposição a lesões) quanto na velocidade e potência do saque. Um saque com a técnica correta é aquele onde durante a preparação ocorre uma adequada flexão dos joelhos (>15 graus), inclinação do tronco para trás levando a raquete a um nível mais baixo, e progredindo para aceleração e finalização do saque com a utilização adequada da transferência de força dos membros inferiores (impulsionados contra o solo) através do tronco para o membro superior que empunha a raquete. A velocidade máxima da raquete no momento do impacto na bola está diretamente relacionada com a velocidade do quadril indo de sua posição mais baixa para uma posição mais alta. Um movimento dentro da técnica produz um saque mais forte e protege as estruturas anatômicas do ombro. A dor é o principal sintoma manifestado pelos atletas, a mesma se apresenta geralmente na região anterior e é sugestiva de tendinite por sobrecarga. O ombro doloroso afeta não só o atleta de alto nível como também o atleta amador e recreacional. Os estalos na articulação eventualmente podem estar associados, porém isoladamente não significam lesão devendo estar sempre acompanhados de dor para que sejam caracterizados como alguma patologia.

Tratamento

         As lesões atraumáticas geralmente se resolvem com um período adequado de repouso, anti-inflamatório, gelo, correção da técnica empregada durante os treinos e fisioterapia. Discuta sempre com seu técnico o jeito mais adequado de desempenhar os movimentos do seu esporte. A fisioterapia tem um papel importante, principalmente em lesões mais arrastadas onde já ocorreu um desequilíbrio nas estruturas ligamentares e musculares do ombro. Reequilibrar os ligamentos e a musculatura através de exercícios de alongamento e fortalecimento é o objetivo. Nos casos em que o atleta negligencia a dor e a carrega por meses, evitando o repouso e mantendo o mesmo ritmo de treino intenso, podem ocorrer lesões em graus mais elevados que necessitem de um tratamento cirúrgico. Em lesões traumáticas o tratamento vai depender do grau da força empregada durante o momento do trauma, podendo variar entre uma simples contusão, uma entorse, ou até uma fratura. O tratamento na fase aguda consiste em imobilização, gelo, analgésicos, anti-inflamatório e repouso. Devendo na sequência passar pela avaliação de um ortopedista para seguimento do tratamento. A prevenção é peça chave no tratamento das lesões esportivas. O atleta deve estar sempre atento aos detalhes da técnica empregada em cada esporte, para que possa fazer o uso de seu corpo em potencial máximo sem comprometer suas articulações. A preparação física é necessária para um bom desempenho e um menor risco de lesões. Assim que perceber sintomas dolorosos no ombro que se intensificam durante a prática esportiva procure por avaliação médica especializada para receber orientações quanto a prevenção e tratamento dessas lesões.

 

Dr. Lucas Emanuel Gava Búrigo

CRM 16562 / SBOT 13689 / RQE 12252

Médico Ortopedista e Traumatologista

Especialista em Cirurgia do Ombro

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